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A CRISE ENERGÉTICA E AS PRÁTICAS AMBIENTAIS, SOCIAIS E DE GOVERNANÇA

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Enquanto o Brasil enfrenta a maior escassez hídrica dos últimos 91 anos, segundo a CNN, agrava-se a crise energética, que leva a sucessivos anúncios de aumento na conta de energia do consumidor, determinados pela própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Isso acontece porque fontes de energias mais caras, como as termelétricas, precisam ser ligadas ou ter a sua produção incrementada para compensar as limitações impostas às usinas hidrelétricas devido à falta da sua matéria-prima.

A despeito do aumento desmedido nas contas mensais de energia elétrica, que onera sobremaneira toda a população – já em sua maioria combalida financeiramente, devido aos perniciosos efeitos colaterais decorrentes do isolamento social forçado pela pandemia da Covid-19 –, ocorre o agravamento de duas desastrosas situações para o país:

1. Aumento considerável de energia suja, ou seja, gerada a partir de fonte que polui a atmosfera, degrada o meio ambiente e não é renovável, contribuindo ainda para o aumento do aquecimento global, cujos efeitos são vistos nas dramáticas mudanças climáticas testemunhadas nos últimos anos e que geram fenômenos climáticos cataclísmicos, levando a óbito milhares de pessoas e desabrigando milhões de pessoas a cada ano.

2. Impacto significativo na inflação – segundo o site Poder 360, pode atingir até 1,3 ponto percentual no valor do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para se ter uma ideia desse impacto, a meta para a inflação em 2021, estimada pelo Conselho Monetário Nacional, era de 3,75% para o ano inteiro.

Enquanto os valores das contas de energia elétrica disparam, a maior parte das grandes instituições financeiras patina no seu compromisso com o meio ambiente, a responsabilidade social e até mesmo sua própria governança, ou seja, estamos falando da Environmental, social and corporate governance (ESG).

Em um momento como esse, toda instituição financeira que lide com crédito deveria estabelecer uma linha com taxa de juros diferenciada, de forma a incentivar a adoção de outros tipos de energia limpa, como a solar. Muitos desconhecem, mas, atualmente, os sistemas de produção de energia solar são capazes, mediante a substituição do medidor de consumo de energia, de não somente produzir a energia de que a residência precisa, mas até de transferir o excedente de energia para o sistema, gerando crédito.

Enquanto algumas financeiras menores estão abrindo linhas de crédito para financiar a aquisição de sistemas de produção de energia solar com taxas de juros entre 0,5% e 1% ao mês, existem grandes bancos praticando taxas acima de 4% ao mês, o que é absolutamente inacreditável, pois o discurso não se coaduna com a prática. A preocupação com o meio ambiente e o compromisso com a responsabilidade social acabam por se tornar apenas um discurso politicamente correto.

Uma grande parte das instituições financeiras perde uma enorme oportunidade de exercer um papel decisivo para elevar o Brasil a um outro patamar na produção individual de energia. Multiplicando a geração, contribui-se definitivamente para a redução da inflação e o incremento do consumo, melhorando a qualidade de vida da população e reduzindo o aquecimento global, o que se  traduziria em um melhor cenário econômico, garantindo a sustentabilidade a essas próprias instituições.

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